Homilia

 Homilia – Ordenação Episcopal

À luz da Palavra proclamada

Irmãos e irmãs,

a Palavra que hoje escutamos parece ter sido escolhida com muito cuidado pelo próprio Deus para este momento. Cada leitura fala diretamente do que estamos celebrando aqui: o chamado, o cuidado e o exemplo de um verdadeiro pastor.

Primeiro, ouvimos Deus dizer ao profeta: “Antes que te formasse no ventre, eu te conheci.” Isso nos lembra que nenhuma vocação começa hoje. Ela começa no coração de Deus. Muito antes da ordenação, antes das responsabilidades, antes até das certezas, Deus já conhecia o caminho.

Hoje celebramos a ordenação episcopal de Frei Emanuel Souza, frade franciscano. Ele não chega aqui por acaso. Eu o conheci ainda no Br, quando ele nem fazia parte do clero. Copiava nossa roupa de frei, observava, queria entender nosso jeito de viver e servir. Era um rapaz simples, mas com uma vontade enorme de conhecer nosso trabalho. Ali, sem perceber, já estava sendo conduzido pelo Senhor.

Quando Jeremias responde: “Ah, Senhor, eu ainda sou um menino”, ele fala aquilo que muitos de nós já sentimos. O medo, a insegurança, a sensação de não estar pronto. Mas Deus responde com firmeza: “Não digas: sou um menino.” Porque quando Deus chama, Ele não abandona.

O Salmo que rezamos confirma isso: “O Senhor é meu Pastor e nada me faltará.” Quem se deixa conduzir por Deus pode até ter medo, mas nunca caminha sozinho. O Pastor vai à frente, prepara o caminho e sustenta quem confia.

A segunda leitura aprofunda ainda mais essa missão. São Pedro nos lembra como deve ser o coração de quem cuida do rebanho: “Velai sobre o rebanho de Deus que vos foi confiado.” Não por obrigação, não por interesse, não por poder. Mas com dedicação. E ele diz algo muito forte: “não como dominadores, mas como modelos.”

Aqui está o centro de tudo. Existem muitas formas de ser pastor. Dá para tentar conduzir pela imposição, pela rigidez, pelo medo. Mas a Palavra de Deus hoje é clara: o caminho mais bonito — e mais verdadeiro — é conduzir pelo exemplo. Quando o pastor vive aquilo que anuncia, as ovelhas confiam. Quando ele caminha com humildade, os outros seguem sem precisar ser empurrados.

A liturgia desta Missa nos ensina isso em silêncio. Cada gesto que fazemos aqui fala de serviço, não de poder. A imposição das mãos, a oração da Igreja, a Eucaristia… tudo nos recorda que o bispo nasce da oração e vive para o cuidado do povo. Não há ministério sem altar, nem autoridade sem entrega.

Evangelizar no Habblet não diminui essa missão — pelo contrário, a torna ainda mais exigente. Atrás de cada avatar existe uma pessoa real. Existe dor, dúvida, solidão e busca por sentido. O pastor é chamado a cuidar, a escutar, a estar presente. Não como alguém que controla, mas como alguém que acompanha.

Essa missão pede dedicação: estar presente mesmo quando cansa, ouvir mesmo quando ninguém agradece, permanecer mesmo quando não é visto. E pede obediência: à Igreja, à liturgia, à comunhão episcopal e ao carisma franciscano, que ensina a confiar mais em Deus do que em si mesmo.

Querido Frei Emanuel, hoje a Igreja te confia um rebanho. Caminha com ele. Não à frente para dominar, nem atrás para empurrar, mas junto, como irmão. Lembra sempre: antes de ser pastor, deixa-te conduzir pelo Supremo Pastor. E quando Ele aparecer — como nos diz São Pedro — que possas receber não uma glória passageira, mas a coroa imperecível prometida aos fiéis.

Que São Francisco te ensine a permanecer simples.
Que a Igreja Habbiana caminhe contigo.
E que possas sempre repetir, com verdade:
“O Senhor é meu Pastor e nada me faltará.”

Amém.